É de reflexões que se fazem pensamentos e de pensamentos, vida, assim, pensar é viver, e então vamos a Descartes, penso, logo existo. Contudo, vem a pergunta: que diabos isso tem haver com literatura? Ou mesmo descanso? Bem, a conexão que faço com pensar e literatura é que de alguma maneira não-crítica certas leituras nos levam a pensar, e isso já é obvio para muitos, e creio que seja para você leitor. De toda forma, o objetivo desse texto é relacionar a literatura não a viagens, aventuras e ação, e sim; a um descanso, despreocupado e como um bem em si.

Num mundo de homens sem peito estressados e mulheres sem força mais estressadas ainda , soa engraçado falar sobre uma vida de descanso da vida na vida. O que é preferível e visto como descanso são TVs, rádios, musicas e filmes longe sempre da boa vida da literatura. Não é elitismo, de maneira alguma, porque se alguém quer ler Quem mexeu no meu queijo? , por mim tudo bem, mas vamos comparar certas coisas na vida como boa comida: saudável, nutritiva e naturalmente completa e outras como fast food. E esse outro tipo de leitura é isso, comida rápida e plástica, construída apenas para atender sensações humanas estritamente especificas, ou seja, viciantes. Porque é factual, que quando se isola um esquema natural, ou um elemento químico, ou mesmo sabores, eles se tornam não-naturais, e é isso que os tornam maléficos de alguma maneira. A falta de ética e consciência cientifica é imensa porque onde normalmente se encontra de maneira suave e controlável com outros inibidores dentro dos elementos naturais, o homem pega e o transforma em droga, e também o é assim na literatura. E é o parar, pensar e descansar que nos faz repensar coisas desse tipo, seja nossa alimentação real ou mental. Mas num mundo onde “o tempo” nos comprime e nos impede de pensar, quem existe? É a pergunta que faço. Não somos nós as salsichas adolescentes do clipe another brick in the wall do Pink Floyd, ou mesmo, os betas, e zetas, do Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley? Como será descansar onde todos andam rápidos, desinteressados e cansados, e que quando param vêem na TV sangue, sexo e loucura num tipo de BurgerKing publicitário.

Nos vendem enquanto andamos nos nossos transportes de carga que chamamos de transporte público, quando voltamos para casa na nossa caixa de diversão, a TV, vendem quando estamos num banheiro de uma boate qualquer. Não temos escolha. É comprar o que produzimos ou somos chamados de antiquados, retrógrados e não-progressistas. É apoiar um falso desenvolvimento sustentável que sustenta apenas o mesmo modelo dos capitalistas ingleses rechonchudos da década de 20. É por isso te convido a descansar, e usar da literatura para fazer isso. Talvez possa até pensar: como fazer isso enquanto eu tenho dois trabalhos, dois filhos e vida pessoal? Creio que se você não desligar a TV da sua vida, isso pode ficar do jeito que está. Veja, que é apenas um apelo para que você exista ou pense, mas que faça um dos dois pelo menos. Vá aos clássicos literários, descubra o quanto você não sabe num mundo onde diz-se que se sabe tudo, ache livros por você mesmo, não compre Best-sellers, sai do usual, repense. Não vá atrás de jornais não, não fique “informado”, na forma, indo para origem da palavra, se desinforme, e exista! E talvez, você consiga descansar nesse mundo que faz você não pensar. Reconheça as coisas que lhes tão perto e que você não aproveita. Não veja a lua como um astro ou o Sol como a nossa estrela. Admire a chuva, o verde, a alegria de alguns amigos conversando, uma piada sem graça de uma amiga querida, exista! É certo que você pode aproveitar as coisas de maneira consciente, saudável e ver que poderemos deixar de ser homens e mulheres sem peito, desonrados pelo sistema que nos mesmos produzimos. Quem sabe isso faça diferença, ou não, isso vai ser com você, mas com certeza de maneira suave sua vida pode ter uma melhora, uma respiração mais profunda, um olhar mais atento aos que os outros falam.

É objetivo do Grande Ford criado por Huxley que deixemos de crer que vivemos, e é essencial para a continuidade desse sistema que sublimamos nossa existência a um nível deplorável de submissão e descontrole emocional. Pense, se emocione, viva e não se perceba como alguém que vê a própria vida como se estivesse fora dela, um ser fadado a ser um numero aritmético na escola, trabalho e vida. Quando se vive uma vida automatizada por roteiros, horários e costumes não se percebe os momentos presentes de maneira presencial, tentar observar isso e reconstruir uma vida vivida por você mesmo é essencial para que você exista, viva e pense. Então, descanse!