Estava lendo um blog que falava sobre a famosa  italiana Eluana, que em estado vegetativo já à 16 anos fora tirado o direito de viver. Eu ouço muito pessoas dizendo quando ouve notícias como essa que gostariam mesmo que alguem as matasse, fizecem eutanasia nelas mas com certeza elas não sabem o que falam, dizer hipoteticamente que se quer morrer em alguma situação é o mesmo que dizer que quer ser astronauta quando crescer, ou seja, talvez até tenhamos certeza mas é o tempo passado que mostrará que não era o que queriamos. A vá bem, não é assim…..

A mulher de 38 anos e 16 de hospital teve seu alimento diminuido gradualmente e por 4 dias passou fome e veio a falecer no dia 9 desse mês e com consentimento da familia que levou a uma grande discussão na italia sobre a legalização ou não da eutanasia em casos parecidos. Contudo, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi rapidamente tentou impedir criando uma lei emergencial para o caso mas foi tarde demais. A polemica levantou questões um tanto velhas para o mundo controlado pela grande mídia. Questões que creio que tem raizes em um motivo lógico: egoísmo. Talvez seja um tanto forte a afirmação de que familiares que cuidaram por anos a fio uma mulher de 38 anos sejam egocentricos, porém a palavra que me leva a isso é o cansaço, que me leva a angustia, que me leva ao sofrimento, e que me leva a auto-preservação, que me leva ao egoismo. E mesmo que minha resposta a motivação da diminuição dos alimentos da Senhorita Englaro seja fatalista, os fatalismo estão dos dois lados, porque as respostas cientificas e sociais que se desculpam para tais atos são sempre as mesmas: “Ela vai parar de sofrer”, ou ainda, “Ela não vai sentir dor, vai ser melhor para ela”. Afirmções baseadas em fatos que não se comprovam, os próprios médicos afirmam isso, e mesmo assim continuam a dizer que alguem que está em estado vegetativo não vive, é apenas um vegetal, sem vida mas se ele possivelmente sofre? Ele está morto? Como saber? O quadro clínico é o único que diz que alguem está vivo?. A prepotencia cientifica aparece nessas entrelinhas, e é disso que me preocupa mais. Em que mundo possivel mata-se os invalidos como se fossem uma carne estragada? Raizes desse utilitarismo da existencia humana nos levou ao holocausto nazista de deficientes fisicos e mentais, ciganos, judeus, homossexuais e outros, e é isso que me dá medo dessa ciência fatalista.

Eu já deixo claro que essas afirmações são indagações, perguntas pessoais, um ensaio para reforçar o que penso, ou ainda estou pensando. A ciência tomou o lugar dos feiticeiros, dos alquimistas, não existe  barreira para seu poder, para sua boa intenção de ajudar a humanidade, para seus produtos para todos, para seus remédios, para suas pesquisas com genoma, não pode haver porque isso nos trouxe qualidade de vida. É nos trouxe e não trouxe, não nos tornamos melhor por causa da ciência, e é esse o problema. A ciência quer substituir a religião que fracassou na sua própria força.  Destrua-se toda a moral e viveremos melhor disseram os cientistas, coloque apenas o método, o calculo, o sistema, a comprovação e pronto, seremos “bons”. Eluana Englaro, que Deus a tenha, nunca quis sofrer, sua familia nunca quis que ela sofresse, ninguém nunca quis que ela sofresse mas ainda assim aconteceu, e assim,  pode a ciência acabar com o sofrimento? Pode a ciência acabar com a consciência? Acho o segundo mais provável. E num mundo sem consciência, apenas ciência? Não nos resta nada para pisar, porque queira ou não, a religião sempre se coloca um passo à frente, prevendo, e antevendo problemas no espírito do homem, mas e a ciência? A ciência apenas vê seus pés, e se a seguirmos sem questionar, onde iremos parar?