No final de tarde, depois de alguns meses morando numa casa alugada, uma mãe e seus filhos viviam tranquilamente num subúrbio de uma cidade média. Não sendo o bastante, o trabalho era a principal “diversão” daquela família, eles simplesmente viviam para o trabalho. Não importava o quanto fossem direitos e educados, o temperamento social dele era péssimo, era trabalho para aqui e para lá. Contudo, não eram bem quistos e vistos pelos vizinhos, obviamente que não tinha sido vistos nos últimos meses porque o trabalho os impedia de “socializar”. Eram chatos, irritavam com o seu gênio, mas era a casa com que moravam que os deixava assim. A casa era boa, grande, levemente nova, um quintal espaçoso, tinha duas arvores grama ao redor. Mas não era só. Havia bichos, selvagens que viviam incomodando e faziam com que as portas e janelas da casa sempre ficassem fechadas. Cobras, mosquitos, lagartos, tatus, pássaros. “Era impossível viver tranquilamente”, dizia a mãe, “com esse bichanos por todos os lados tentando invadir minha casa”, “não há sossego”.

Transparecia essa irritação no seu contato social, a mãe simplesmente não conseguia esquecer desse fato bizarro do seu dia-a-dia e sempre o comentava com seus poucos amigos -que lhe apenas simpáticos, já que era apenas ela os considerava amigos, o mesmo não acontecia do lado deles-, o que lhes irritava, assim, continuamente o contato social se tornava menos e menos comum na sua família. Até que depois de meses, uma ideia surge. “Vou ligar para a zoonose”, dizia a mãe resoluta. “É bem provável que eles saibam o que fazer com esse tipo de situação, não há mais nenhuma condição de se morar aqui, sem que isso se resolva”. O telefone toca e do outro lado da linha, o moço da zoonose atende:

– Zoonose, pois não?

– Boa tarde, Senhor, aqui é a mãe, tenho tido problemas com animais aqui na minha casa gostaria que os senhores fizessem alguma coisa porque está insuportável”,

– Senhora… não podemos fazer muita coisa… os animais… eles já chegaram a invadir a casa?

– Ainda não, mas não nos deixam sair, é difícil manter as portas abertas sem o medo de que uma cobra entre dentro de casa, o senhor entende?

– Entendo sim senhora mas o problema é que não podemos fazer nada se eles não estiverem DENTRO da sua casa.

– Senhor, isso não faz nenhum sentido, e além do mais, tecnicamente, eles estão dentro da minha casa, estão no meu quintal.

– Sim, Senhora, eu entendi mas é que realmente não podemos tira-los do seu habitat.

– Como assim? Não entendo o que o Senhor quer dizer com habitat.

– Habitat, Senhora, é o local onde os animais vivem.

– Sim, Senhor isso eu entendo mas não entendo porque não podem simplesmente tira-los daqui. Eu moro aqui com a minha família.

– Bem, Senhora, devo lhe informar que a Senhora está equivocada…Eles moravam antes.

PS: feito no maravilhoso FocusWriter e baseado em fatos reais.